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domingo, 25 de janeiro de 2026

Deathraiser - Forged In Hatred - 2026 - Download

 

Gênero: Thrash Metal 

1. Severe Atrocity
2. Primitive Medicine
3. Everything Dies
4. Corporation Parasite
5. Empire of Ignorance
6. Symphony of Violence - Instrumental
7. Toxic Legacy
8. One Step to the Grave
9. Dead Generation

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Quando o Thrash Metal surgiu no início dos anos 1980, com bandas pioneiras como Metallica, Slayer, Exodus e Kreator, o ouvinte de Metal mais convencional foi apresentado a um novo patamar de agressão sonora. Naquele momento, o gênero representava o ápice da brutalidade musical e, com o passar dos anos, passou por um processo natural de lapidação. Diversos grupos incorporaram novas camadas sonoras, adicionaram técnica e, consequentemente, aprenderam a produzir discos mais bem acabados, tornando-os mais acessíveis a um público mais amplo.


Ainda assim, apesar de alguns poucos seguirem empunhando a bandeira da música rápida, suja, ríspida, cortante e visceral, durante os anos 1990 grande parte dos nomes seminais suavizou suas propostas. Como resultado, o estilo enfrentou quase uma década de declínio. O Thrash Metal só voltou a impactar de forma realmente contundente com a chegada dos anos 2000. Nesse período, uma nova geração se misturou à velha guarda, promovendo uma renovação significativa. Já em 2026, o cenário se mostra forte, porém repleto de bandas que apostam em um Thrash permeado por influências modernas.


É justamente na contramão dessa tendência que o Deathraiser se posiciona. Lançado em 22 de janeiro pela Xtreem Music, “Forged In Hatred” surge como um resgate visceral da essência furiosa dos anos dourados. Sem concessões ou artifícios contemporâneos, o segundo álbum de estúdio do quarteto de Leopoldina (MG) apresenta produção analógica e nove faixas que funcionam como um ataque direto e impiedoso aos ouvidos menos preparados.


Um retorno honesto as origens do Thrash
Com apenas 34 minutos de duração e absolutamente nenhum espaço para trégua, o novo registro promove um retorno honesto às origens do Thrash Metal. As composições soam cruas e diretas, sustentadas por riffs imponentes, linhas vocais raivosas e um constante senso de urgência, capaz de transportar o ouvinte diretamente para algum ponto entre 1983 e 1989.


Em diversos momentos, surgem referências claras ao Sepultura da fase “Beneath The Remains” (1989), ao Dark Angel do clássico “Darkness Descends” (1986) e, em outros trechos, ao Kreator dos álbuns “Pleasure To Kill” (1986) e “Terrible Certainty” (1987). Ainda assim, o Deathraiser consegue imprimir sua própria identidade ao trabalho, evitando que essas influências transformem o disco em uma simples coleção de clichês.


O tracklist enxuto apresenta destaques imediatos, começando pela impiedosa faixa de abertura “Severe Atrocity”, que evidencia a precisão da cozinha formada por William, nas baquetas, e Junior, no baixo. Em seguida, “Primitive Medicine” dá continuidade à devastação sonora e soa como um híbrido feroz entre “Schizophrenia” e “Persecution Mania”. Já “Everything Dies” aposta em um riff inicial extremamente pesado e em um andamento mais cadenciado nos primeiros momentos. Aqui, a influência de “Beneath The Remains” se torna ainda mais perceptível e, somada à identidade da banda, resulta em um dos grandes pontos altos do álbum.


Tracklist irretocável
“Corporation Parasite” e “Empire Of Ignorance” ocupam com inteligência o miolo do disco, permitindo que o álbum avance sem perder intensidade, ao mesmo tempo em que mantém o ouvinte completamente envolvido. As guitarras da dupla Ramon/Thiago despejam riffs afiados e demonstram competência tanto na construção das bases quanto nos solos, que, embora diretos, cumprem sua função com extrema eficiência. Essa característica se torna ainda mais evidente na instrumental “Symphony Of Violence”, cujo título já entrega boa parte das influências. Os solos remetem quase diretamente à performance de Andreas Kisser em “Iquisition Symphony”, enquanto a composição preserva o caos característico do Kreator em seus primeiros anos.


Na sequência, “Toxic Legacy” surge como mais uma arauta do caos, entregando exatamente tudo aquilo que o fã de Thrash Metal old school espera ouvir. O encerramento fica por conta da poderosa dobradinha “One Step To The Grave” e “Dead Generation”, que, diga-se de passagem, representa um dos momentos mais altos da audição, senão o mais impactante. O final da primeira praticamente se funde ao início da segunda e, apesar de serem faixas distintas, a sensação é de completa complementaridade. Um desfecho arrebatador para um álbum irretocável.


De Minas Gerais para o mundo
Vale destacar que a proposta do Deathraiser não passa por reinventar a roda. O objetivo aqui consiste em proporcionar ao fã de Thrash Metal contemporâneo uma verdadeira experiência de imersão em uma época em que o gênero buscava apenas ser brutal, rápido e impactante. Não há espaço para modismos, modernidades forçadas ou misturas enfadonhas em “Forged In Hatred”. O álbum funciona quase como uma cartilha sonora para a nova geração.


Mais de quatro décadas depois, a cena mineira continua exportando suas joias para o Brasil e — quem sabe — para o mundo. Além disso, passados mais de dez anos desde o disco de estreia “Violent Aggression” (2011), o Deathraiser se mostra afiadíssimo e pronto para ocupar a linha de frente do campo de batalha do Metal. Resta torcer para que o grupo não demore tanto para lançar o próximo trabalho e mantenha o nível elevado apresentado aqui.

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