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quarta-feira, 10 de agosto de 2022

The Baggios - Tupã-Rá - 2021 - Download


Gênero: Blues Rock

01 A Chegança
02 Avia Menino!
03 Barra Pesada
04 Cura Taio
05 Espelho Negro
09 Senhor dos Passos
10 Chuva
11 Digaê!
12 Sun Rá

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Quinto álbum de estúdio do trio The Baggios, Tupã-Rá expande o território musical deste grupo sergipano, hábil na conexão do blues-rock norte-americano com a rítmica arretada da música do nordeste do Brasil.


A batida de samba que embasa Espelho negro (Júlio Andrade) – sem diluir a incisiva pegada do power trio formado por Gabriel Perninha (bateria), Júlio Andrade (voz e guitarra) e Rafael Ramos (piano, órgão e baixo) – exemplifica a disposição do grupo The Baggios para entrar em outras rodas com Tupã-Rá sem perda da contundência do discurso que, no caso da letra de Espelho negro, reflete sobre a injustiça que vitima o povo preto e pobre do Brasil.


Na abertura de Tupá-Rá, disco gravado entre março e julho de 2021 em estúdios de Aracaju (SE) com produção musical capitaneada por Júlio Andrade, a faixa Chegança (Júlio Andrade) cai em suingue que remete à música tradicional da Etiópia, erguendo ponte entre a África e o nordeste do Brasil.


No caso, a inspiração de Chegança é manifestação popular de São Cristóvão, cuja dança representa antigo embate entre os mouros, vindos do norte da África, e os cristãos que habitavam o nordeste brasileiro.


A propósito, por mais que se espraie por outras latitudes, Tupã-Rá é álbum enraizado no sertão nordestino, como já sinalizara em maio o primeiro single, Baggios encontra Siba (Júlio Andrade e Siba Veloso), acelerada música de título autoexplicativo que efetivamente junta o trio com o cantor e compositor pernambucano Siba Veloso, artista projetado nos anos 1990 como guitarrista e rabequeiro da banda Mestre Ambrósio, cujo som ecoa em Tupã-Rá.


Mais reconhecível na discografia da banda, a incisiva pegada roqueira de Barra pesada (Júlio Andrade e Chico César) embute repente, as vozes dos paraibanos Chico César e Cátia de França e a aguda consciência da fratura social que aniquila o povo brasileiro em inglória luta de classes. Barra pesada é o maior destaque da safra autoral dos Baggios em 2021.


Já o coro de Avia menino! (Júlio Andrade) remete de longe ao canto das benzedeiras que povoam a região nordeste. A faixa dura pouco mais de um minuto.


Após pistas dadas por quatro singles, entre eles Clareia trevas (apresentado em julho com música de Júlio Andrade) e Deixa raiar (lançado em setembro com outra composição de Júlio Andrade), o álbum Tupã-Rá chega ao mundo digital na quinta-feira, 4 de novembro, em edição do selo Toca Discos distribuída via Altafonte, com capa que expõe esculturas de Marlon Delano em foto de Marcelinho Hora.


Apresentado como o último título de trilogia formada pelos álbuns Brutown (2016) e Vulcão (2018), Tupã-Rá mantém afiada a pegada sonora do trio ao longo das 12 músicas do disco.


A coesão do som fica clara na roqueira Senhor dos passos (Júlio Andrade) e na solar Sun rá (Júlio Andrade), mas o trio ameniza o tom do discurso em músicas como Digaê! (Julio Andrade, Gabriel Perninha, Rafael Ramos), faixa em que o grupo deixa a politização momentaneamente de lado para esboçar afago fraterno em tempos de isolamento.


A intenção é boa e louvável no momento delicado da humanidade, mas é quando o som fica tão pesado quanto o discurso que o trio The Baggios mais se ilumina no álbum Tupã-Rá.

The Baggios - Vulcão - 2018 - Download


Gênero: Blues Rock

01 Louva-a-Deus
02 Caldeirão das Bruxas
03 Deserto
04 Espada de São Jorge
05 Em Si Menor
06 Vermelho-Rubi
07 Samsara
09 Fera

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Parceria de Russo Passapusso com Júlio Andrade, vocalista e guitarrista do grupo de blues-rock, Deserto é a única das onze composições do álbum Vulcão que tem duas assinaturas. As outras dez são criação da lavra solitária de Júlio Andrade, artista que criou o The Baggios em 2004 na cidade de São Cristóvão (SE).


De 2008 a 2016, The Baggios foi essencialmente um duo centrado na interação de Júlio com o baterista Gabriel Carvalho, que se firmou no posto pelo qual já tinham passado os bateristas Lucas Goo (de 2004 a 2006) e Elvis Boamorte (de 2006 e 2008).


Em Vulcão, Rafael Ramos (piano, órgão e baixo) já aparece efetivado na banda, inclusive nas fotos promocionais, após ter atuado como músico convidado do álbum anterior dos Baggios, Brutown (2016).


Brutown foi lançado há dois anos pelo mesmo selo da banda, Toca Discos, que ora edita Vulcão, álbum que conecta o The Baggios aos sons da África e a ritmos do Brasil com o nordestino baião.


Com toque psicodélico e levadas orientais na música Vermelho rubi, o álbum Vulcão versa sobre a intolerância religiosa em Louva-a-Deus e joga a dicotomia yin-yang no Caldeirão das bruxas.


Já Limaia liquidifica ritmos de manifestações folclóricas de Sergipe como a Marujada, o Reisado e a Caceteira. Os afrobeats atravessam o disco, gravado no estúdio Toca do Bandido, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), com produção orquestrada pelo mentor Júlio Andrade.

The Baggios - The Baggios No Estúdio Showlivre - 2017 - Download


Gênero: Blues Rock

01 Brutown
02 Como um Tiro de Bacamarte
03 Sangue e Lama
04 Desapracatado
05 Saruê
06 Alex San Drino
07 Miquin
08 Soledad
09 Medo
10 Estigma

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The Baggios - Brutown - 2016 - Download


Gênero: Blues Rock

01 Estigma
02 Brutown
04 Sangue e Lama
05 Alex San Drino
07 Miquin
09 Medo
10 Vivo Pra Mim
11 Padece Ser
12 Soledad

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O rock brasileiro vive uma ótima fase já há alguns anos. A quantidade de boas bandas em diferentes pontos do país anima e impressiona. Basta tirar a preguiça do ouvido, pesquisar um pouco e se divertir com as mais variadas abordagens sonoras.


Os sergipanos do The Baggios estão entre as minhas preferidas. Formada em 2004 na cidade de São Cristóvão, o duo que conta com o o vocalista/guitarrista Julio Andrade e o baterista Gabriel Carvalho possui uma sonoridade que parte do rock e vai ao encontro, simultaneamente, do blues e de sonoridades regionais, formando um painel musical original e cativante.


Com três discos na bagagem - The Baggios (2011), o ótimo Sina (2013) e o recém-lançado Brutown (2016), além do ao vivo 10 Anos Depois (2015) -, o The Baggios mostra em seu novo disco uma maturidade onipresente e uma profundidade sonora maior. A participação do baixista e tecladista Rafael Ramos tem muito a ver com isso, fazendo com que a banda possa dar alguns passos além das limitações geradas pela relação guitarra e bateria, abrindo novos horizontes e tornando reais caminhos sonoros até então impossíveis de serem trilhados. Uma evolução natural e que já foi vivida por formações similares como o Black Keys, por exemplo, que assim como o Baggios partiu da crueza do blues rock para a variedade maior de seus trabalhos mais recentes.


Brutown traz doze faixas e foi produzido por Felipe Rodarte e pela própria banda. Gravado no estúdio Toca do Bandido, no Rio de Janeiro, o álbum traz diversas participações especiais: Emmily Barreto (do Far From Alaska) canta em “Estigma”, Jorge Du Peixe (Nação Zumbi) em “Saruê”, Fernando Catatau (Cidadão Instigado) toca guitarra em “Soledad”, Felipe Ventura (Baleia) coloca o seu violino em “Soledad" e “Miquim" e a dupla dos Autoramas, Gabriel Thomaz e Erika Martins, faz backing vocal em “Desapracatado”. A bela capa foi criada por Neilton Carvalho, guitarrista do Devotos do Ódio.


Outro ponto que merece menção é a abordagem social e política presente em várias músicas. A violência dos grandes centros urbanos é cantado em “Estigma" e na faixa-título, enquanto a tragédia de Mariana (MG) e o massacre do Bataclan (Paris) são retratados na linda “Sangue e Lama”.


As canções do disco impressionam o ouvido. Esbanjando maturidade, o The Baggios entrega um tracklist cheio de ótimas músicas, onde é até mesmo difícil encontrar destaques individuais. As já citadas “Estigma" e “Brutown" chutam o balde logo no início, com metais comendo soltos na primeira e uma longa introdução levando ao bater de cabeça na segunda. “Sangue e Lama” é um blues dono de uma beleza inebriante, enquanto o violino e o arranjo criado por Felipe Ventura são a cereja do bolo na linda “Miquin”. “Medo" vem com um solo de teclado na parte central que é uma delícia, enquanto o groove dá o tom na sacolejante “Vivo Pra Mim”.


Brutown é o melhor disco do The Baggios. E isso é um feito e tanto por um motivo bem simples: os álbuns anteriores já eram muito bons. Temos aqui uma banda que sabe o que quer, com ideias originais e claras que levam a sua música por caminhos cheios de personalidade.


Sem dúvida, um dos grandes discos lançados no Brasil este ano. Até agora, o grande álbum de rock disponibilizado por uma banda brasileira neste 2016.

The Baggios - Dez Anos Depois - 2015 (Ao Vivo) - Download


Gênero: Blues Rock

01 Pisa Macio
02 Uma Bem Beleza
03 O Azar Me Consome
04 Em Outras
05 Aqui Vou Eu
06 Na Porta do Bar
07 Hard Times
08 Salomé Me Disse
09 Supersonic Explosion
10 Baggio Sedado
11 Domingo
12 Afro
13 Um Rock Para Zorrão
14 Blues do Aperreio
15 Sem Condição
16 Cosmopolita
17 Oh Cigana
18 Esturra Leão
18 Candangos Bar
19 Morro da Saudade

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The Baggios - Sina - 2013 - Download


Gênero: Blues Rock

01 Afro
02 Blues do Aperreio
04 Salomé Me Disse
05 Sina
06 Esturra Leão
07 Vagabundo Arrependido
08 Um Rock para Zorrão
09 De Malas Prontas
10 Domingo
11 Tardes Amenas
12 Descalço

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As guitarras, batidas e vozes estão longe de encontrar conforto nas mãos de Julio Andrade e Gabriel Carvalho. Mentes insanas aos comandos do The Baggios, a dupla sergipana volta ao mesmo cenário rústico proposto com o autointitulado primeiro disco, de 2011, sufocando mais uma vez os ouvintes com uma avalanche de ruídos e vocais entregues aos berros. Quem espera por qualquer instante de calmaria ou possível mudança na estratégia crua exposta pela dupla, terá em Sina (2013, Independente), segundo registro em estúdio, uma continuação inevitável e melhor estruturada do debut que apresentou oficialmente o projeto.


Tão barulhento e intenso quanto o álbum anterior, o presente disco é uma obra que resgata as experiências ruidosas de outrora, porém, transformando o fluxo intenso da dupla em um palco para boas melodias. Pista para o que direciona toda a estrutura do registro, Afro, canção de abertura trata nos versos velozes e guitarras marcadas pela sujeira um salto criativo. Enquanto no projeto de 2011 cada elemento parecia encaixado em um efeito ponderado de descoberta, hoje a dupla esbanja firmeza, mantendo até o ecoar da última música, Descalço, um sintoma de concisão talvez inexistente até pouco tempo.


Longe e ao mesmo tempo perto dos clichês que solucionam o Blues Rock há décadas, a banda vai da essência do Led Zeppelin aos “novatos” do The Black Keys sem necessariamente perder pontos em originalidade. O clima empoeirado e seco do nordesde parece ser a base para a construção de um cenário que se deixa consumir tanto pela saudade (De Malas Prontas), como pela celebração (Blues do Aperreio). Melancólico ou exaltado, Sina garante até o último segundo a presença de riffs densos e batidas construídas com intensidade. Uma prova de que a dupla passou os últimos dois anos aprimorando tudo o que havia de melhor na estética do primeiro álbum.


Dentro desse encaminhamento, o eixo inicial do disco se sustenta em uma solução ascendente de vozes e sons que se complementam. Blues do Aperreio, Sem Condição e a própria faixa-título são algumas das músicas que naturalmente impulsionam a obra (e o ouvinte), substituindo a simplicidade imposta no registro de 2011 por um jogo de novas experiências instrumentais. Do uso de metais na envolvente Esturra Leão, passando pela dualidade suingada e crua de Vagabundo Arrependido, Sina, mais do que uma obra pontuada pela sobriedade, é um trabalho que assume pequenos experimentos.


Longe de apenas soterrar os tímpanos do ouvinte com um jogo de canções volumosas, o álbum autoriza por diversas vezes a construção de instantes abrandados. Do xote cativante de Salomé Me Disse – com direito a sanfonas e vocais leves -, ao rock (quase) brando de Tardes Amenas, o trabalho media durante todo o tempo os excessos com momentos de puro controle. Entretanto, a timidez está longe de se acomodar pelas rachaduras do disco, o que faz com que a cada instante minimamente ponderado, faixas ainda mais intensas (como Um Rock Para Zorrão e Descalço) se apoderem do registro.


Sem intervalos, ainda que capaz de sustentar pequenos respiros eventuais, Sina vai até os últimos instantes edificando uma muralha densa de ruídos ásperos. Não há complexidade, tão poucos barreiras conceituais que busquem atrapalhar o resultado melódico da obra. Esse detalhamento faz de cada música um passo seguro para a consolidação da faixa seguinte, como se todas as canções fossem posicionada em um mesmo cenário, finalizado de fato apenas ao ecoar do último acorde.

The Baggios - The Baggios - 2011 - Download

 

Gênero: Blues Rock

02 Candango's Bar
04 Get Out Now
05 Josie Magnólia
06 Meu Eu
07 Morro da Saudade
08 Não Estou Aqui
10 Oh Cigana
11 Pare e Repare
12 Quanto Mais Eu Rezo
13 Seu Cristóvão
14 You Never Walk Alone

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